concreto + orgânico + regionalismo

A linguagem projetual do restaurante explora a plasticidade do artesanato paraibano para imprimir identidade aos espaços. Situado em região nobre da Capital federal, com vista para o Lago Paranoá e para a Ponte JK, a arquitetura utiliza-se das referências das sedes de engenho nordestino e de olarias tanto nos materiais construtivos quanto na ambientação intimista. O lote de dimensões generosas, cercado com mais de 4 mil metros quadrados de área verde e com desnível de 4,5m entre as cotas, induziu a solução funcional em dois níveis. No térreo e no subsolo, ficam os serviços, e, na cota superior, encontram-se o salão de mesas, a área vip, o self-service, a cozinha e os banheiros de apoio. 

  Na mesma cota da via de acesso, são disponibilizadas 268 vagas para automóveis. Para vencer o desnível entre o estacionamento e o restaurante, o acesso se dá, ora pela escada, ora pelo elevador hidráulico, cujo invólucro contemporâneo, com rasgos esculturais, faz alusão ao desenho da palma, um tipo de cacto comum na caatinga. O sistema construtivo é misto, combinando aço e concreto armado. O salão de mesas para 900 lugares é coberto pelas quatro águas de telhas cerâmicas, apoiadas em vigas transversais de aço, que, por sua vez, sustentam-se sobre vigas de concreto armado aparente no seu estado bruto.

Os seis pilares revestidos de tijolos maciços em forma de chaminé pontuam a paisagem à noite, pois, no topo dos seus nove metros de altura, luzes podem ser acessas, tornando-se um marco visual, quando visto à distância.

Nas vedações, predominam a transparência dos vidros para a contemplação da paisagem, pontuados com estruturas de eucaliptos e paineis que lembram o desenho do elevador. A opacidade dos revestimentos fica por conta dos blocos dos sanitários, os quais são revestidos por pedras.

No interior, o piso de cimento queimado, as mesas e os assentos de madeira, assim como as redes distribuídas pelos convidativos alpendres, conformam a ambiência das casas de fazenda do Nordeste. Complementando a rusticidade do design, lustres pendentes e cortinas com palha-da-costa e gomos com formato de sabugo de milho complementam as referências das raízes culturais nordestinas.